sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sacanagem com os brasileiros

Tão de sacanagem com a gente.

Como assim levar Waldick Soriano e Fernando Torres no mesmo dia?

Sem contar que já tinham nos tirado Dercy Gonçalves, Dorival Caymmi e sua viúva Stella Maris.

E pra completar, deixaram os pernambucanos órfãos de Mestre Salustiano.

Ou alguém lá em cima está com a mira muito ruim, ou estão tentando nos deixar um pouco mais tristes. Detonando as poucas coisas boas que temos.

Bom... Se precisarem, eu posso apontar alguns nomes que seriam mais bem recebidos no céu, ou no inferno né.

Nunca se sabe...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Boas histórias

Depois de vários dias de tristeza, me peguei apaixonado pelo jonalismo.

Tudo começou na terça-feira, quando publiquei uma reportagem especial sobre um projeto social. O projeto, chamado Adote uma Criança pro Esporte, convida pessoas de boas condições financeiras para patrocinar escolinha de Vôlei para crianças de um bairro carente.

Na terça-feira mesmo, descobri que a reportagem foi muito bem recebida pela diretoria da Folha de Pernambuco (jornal que trabalho). Ganhou foto na primeira página (coisa que eu nunca tinha conseguido em oito meses de labuta) e foi elogiada na reunião de avaliação diária. Também fui parabenizado pelos meus editores e colegas. Todos adoraram.

O problema é que eu estava odiando a matéria. Não queria nem mais falar sobre ela.

Tudo mudou ontem de tarde. Um dia depois da publicação da reportagem, encontrei com o responsável pelo projeto, o professor de Vôlei do Sesc Santo Amaro, Gildo Soares. Ele estava muito feliz. O trabalho que vinha realizando há meses estava mostrando resultados. Só na terça, ele recebeu mais de 60 ligações (coloquei o número do celular dele na matéria). Alguns telefonemas foram parabenizando e outras querendo ajudar. Ele disse que não tinha palavras para agradecer.

Mais tarde, falei com duas pessoas que leram a matéria e, por conta disso, decidiram apadrinhar uma criança. A reportagem emocionou cada uma delas de um jeito diferente. A primeira era bailarina e também teve dificuldades financeiras na infância. Já a segunda, tem dois filhos ligados ao vôlei. Para ela, o esporte sempre fez parte da família.

Depois de escutar esses vários relatos, me peguei adorando a reportagem. Descobri que estava me lixando para a opinião dos jornalistas que trabalham comigo. Não quero ser um jornalista que escreve pra outro jornalista, como muitos fazem por aí. Não quero passar a vida correndo atrás de furo, principalmente porque, quase ninguém lê todos os jornais do mundo e poucos saberão do tal furo.

Não! Eu quero a opinião dos leitores. Quero saber que, de alguma forma, consegui tocar no coração de uma pessoa. Fico feliz em saber que as linhas escritas por mim, serviram para melhorar a vida de alguém. É ótimo saber que contei uma boa história.

É assim que o jornalismo deveria ser.

Sempre atrás de boas histórias.

*Se alguem tiver se interessado, segue o link com a matéria:

http://www.folhape.com.br/folhape/materia.asp?data_edicao=02/09/2008&mat=109987

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Jornalismo é isso mesmo

Como vocês notaram no post anterior, desde ontem que eu estou passando por um momento de reflexão. No entanto, o mais legal da reflexão é quando você encontra pessoas legais que estão dispostas a refletir em grupo. E ontem foi um desses dias. Cheguei na faculdade faltando 40 minutos para o início da aula. No caminho para a sala, encontrei duas amigas jogadas no chão, tomando sorvete da Bob’s.

Isso é que eu chamo de momento propício para reflexão em grupo.

Quando cheguei, as duas já estavam discutindo sobre o futuro. E no nosso caso, o futuro já é no ano que vem (Elas no começo e eu no final), quando estaremos formados e sem emprego. Começamos a pensar o que vai acontecer conosco. Depois de quatro anos vivendo do salário de estagiário, que sempre deu pros nossos gastos atuais (morar com a mãe tem suas vantagens), a maior dificuldade vai ser voltar a receber o dinheiro que tínhamos na época de escola, ou seja, zero dinheiro.

Depois de constatada nossas mazelas vindouras, difícil foi descobrir quem dos três ficou mais desesperado e tentar manter o ânimo. Mas antes de terminarmos a reflexão, fomos sugados para o tempo presente, pois era a hora de ir pras aulas. O problema foi que, na aula, eu continuei encucado (não tenho nem idéia se é assim que se escreve). Até tentei prestar atenção na aula, mas o desemprego imperava em minha mente. Por pouco não entrei em depressão ali mesmo.

Daqui há alguns meses, tudo que fiz em quatro anos pode ser jogado no ralo.

De que vão me valer os seis estágios, as noites mal dormidas e as notas acima da média daqui há uns meses?. Pra que eu me matei de trabalhar, levei esporro de graça e assisti a todas aquelas aulas? Daqui há uns meses vou estar desempregado. Nenhum dos meus ex-chefes vai poder me dar emprego. Nenhum contrata mais funcionários. O mercado está inchado. é o que todos dizem. Jornalismo é isso mesmo.

Jornalismo é isso mesmo...

Saco de jornalismo...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Prioridades

Bom... Agosto acabou, chegou setembro e eu continuo na mesma. Sem tempo para dar gás em projetos pessoais. Começo vários, mas não termino nenhum. Acho que é uma mazela pessoal minha. Nunca consigo terminar algum projeto que começo. O blog é um exemplo. A cada mês, tento bater o recorde de crônicas do mês anterior, mas nunca consigo. Até que estava pra conseguir isso, mas terminei não escrevendo nada nas duas últimas semanas, pois estava entregue a uma matéria especial que estava escrevendo pra Folha de Pernambuco.

A matéria saiu hoje, e acho que ficou uma droga. Essa é outra mazela minha. Acho que tudo o que eu faço é uma droga, apesar de todos terem me parabenizado pelo trabalho. Mas tudo bem, o importante é que eu acabei a matéria.

Por conta disso, decidi que, a partir de hoje, vou dar prioridade para algumas coisas. Abandonei os jogos e bolões que estava participando. Quer dizer, participando entre aspas, pois esquecia de fazer as apostas todas as vezes. Já estava virando motivo de piada.

Vou voltar a escrever uma história que tinha começado há muito tempo e começar a marcar presença nos blogs que participo. Não quero nem saber. Vou ter que arrumar tempo para tudo isso. Para esse mês, minha meta é escrever cinco crônicas para o esse blog. Começando por esta.

Desejem-me sorte.

E força de vontade, pois vou precisar.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Argentina 3 x 0 Brasil


Tá bom meu Deus. Vou dar um desconto porque o senhor é brasileiro, mas vou te contar, o senhor sacaneou direitinho com a gente. Eu até aceito perder o tão sonhado ouro olímpico no futebol masculino, mas a derrota tinha que ser pra Argentina? E ainda mais de goleada (três a zero pra mim é goleada)? Não! Não precisava de tanto. O Senhor bem que podia ter pego mais leve. Bem que a derrota poderia ter sido por um a zero, com um gol impedido de Aguero, ou por três a dois, com o terceiro tento argentino nascendo de um pênalti mal marcado pelo juiz

Bem que o Senhor podia ter sido mais maleável. Mas não... Tinha que ser sofrido. Tinha que doer. O crescimento da inflação, a morte de Dercy Gonçalves, a liderança de Mendoncinha nas pesquisas para prefeito do Recife, tudo isso a gente agüentou calado, mas ser humilhado vergonhosamente pela Argentina já é demais. É pedir demais para nós, que somos pobre mortais.

Para piorar as coisas, ainda somos obrigados a agüentar aquele gordo, escroto, viciado, puxador de baseado, ex-atleta e considerado o segundo melhor jogador do mundo falando merda no nosso pé do ouvido. No lugar de Dercy, bem que o Senhor poderia ter levado, mais cedo, o nosso querido hermano Diego Maradona. Ninguém ia nem notar se o Senhor tivesse levado ele no lugar do Dorival Caymmi.

Acho que o Senhor devia ter dado um desconto pra gente. Pensa que é fácil torcer pra um time, cujo capitão não jogava há mais de seis meses? Acha que é fácil torcer por uma seleção comandada pelo Dunga? Uma confederação presidida por Ricardo Teixeira? E olhe que não vou nem falar do presidente da Federação Pernambucana, Carlos Ovonaboca Oliveira. Três a zero é demais!!

O senhor tirou o único divertimento futebolístico oferecido pela seleção, nos últimos anos, que era ganhar da Argentina. E agora? O que o Senhor vai fazer? Será que vai conseguir encostar sua cabeça no travesseiro e dormir tranqüilo essa noite? Vai ser difícil né? Espero uma retratação e quanto mais rápido melhor.

Bem que um terremoto, durante essa noite, poderia tirar a Argentina do mapa.

Seria ótimo acordar e não dar de cara com as manchetes dos jornais argentinos amanhã.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

13 anos depois

Engraçado! Nem parece que já se passaram 13 anos. O dia 11 chegou, foi embora e parece que ninguém notou. Ninguém chegou a notar o silêncio na casa de noite, o vazio no sofá da sala, aquele túmulo a mais no cemitério. Bem que disseram que a dor sumiria com o tempo. Só sobrou essa sensação estranha no estômago.

Não é raiva sabe... nem ódio... nem saudade desesperada. É mais um sentimento amargo que toma conta da gente devagar. Quando paramos para pensar como aquilo modificou nossas vidas. Mentira! Não foram as nossas vidas. Foi a minha vida.

Não é que eu não tenha gostado de crescer um pouco mais rápido. Até fiquei contente por ter recebido algumas responsabilidades e ter ajudado um pouco. Mas preferia ter tido um pouco menos de peso nos ombros.

Pra falar a verdade, não me importaria de trocar tudo isso, apenas que por alguns anos, por uma vida de rebelde sem causa. Poderia ter me importado menos, me interessado menos, me sentido menos obrigado a participar. Acho que teria sido legal ser reprovado no colégio, levado bomba na faculdade e errado mais no trabalho.

Poderia ter mandado o mundo à merda, os professores chatos ao caralho e aqueles mauricinhos do colégio ao inferno. Poderia ter dito pros vizinhos arrancarem os olhos de espiões, mandado meu chefe se fuder e obrigado meu tio chato a socar o dinheiro no cú.

Eu só precisava de você ali. Como quando eu era o garoto mais novo da rua.

“Jogue a pedra neles e corra pra casa. Aqui eu resolvo”.

Pedra eu não sei, mas teria enfiado um meteoro no mundo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O menino do olhar perdido

Eu tenho que reconhecer, existem várias coisas que gosto no trabalho de jornalista (ou estagiário de jornalismo, caso prefiram). Além de gostar de escrever, coisa que vou aprendendo aos poucos, ainda costumo conhecer muita gente diferente. E foi justamente isso que me agradou quando passei uma semana no caderno de Grande Recife (caderno de cidades ou cotidiano) da Folha de Pernambuco. Normalmente, como setorista de esportes amadores, não costumo sair muito da redação, mas quando estava em Grande Recife, eu não me lembro de ter parado dentro da Folha. Por conta disso, pude conhecer inúmeras pessoas interessantes, e todas elas me marcaram de uma maneira diferente.


Logo na minha primeira saída, tive que cobrir a apresentação de dois homens acusados de balear uma cobradora de ônibus, deixando ela paraplégica. Na delegacia, conheci o garoto que efetuou o tiro. É... um garoto. Ele tinha 18 anos. Era um "gadinho", o que na gíria do crime quer dizer assaltante novo. O menino se enrrolou com a arma, que estava engatilhada, e disparou.

A primeira coisa que notei nele foi o olhar. Parecia perdido, como se não entendesse o lugar, onde estava. Naquela hora, reconheci a face de alguém que foi derrotado pela vida. Seu rosto esboçava aceitação. Era o rosto de quem tinha se declarado vencido. Para ele, aquele caminho não era surpresa. Acho que ele tinha decidido se entregar de vez. Parece que sua vida sempre esteve traçada. Não importa o que ele fizesse, não teria chance alguma.

É claro que fiquei triste pela cobradora. Mas tenho que reconhecer, senti pena do garoto. Pena da vida que ele não vai viver. Pena da vida que ele vai viver. Pena daquele olhar sem expressão, devastado pelo crime. Queria ter dito a ele que vai acabar tudo bem. Que ele podia mudar de vida. Que ele tinha um futuro. Poderia ter dito tudo isso.

Pena que nem eu acreditava.